01/10/2007

A arte de morar sozinho e não ter uma Tv.

Fui tateando as paredes do local, um tanto úmidas e pegajosas, parecem carne quente e com essa escuridão não vejo um milímetro sequer, ainda mais agora que acabei de estraçalhar os meus óculos, mas me sinto bem, parece lá em casa, nada de pavor e medo, como se fosse um velho conhecido, bem, eu já morei em lugares menores que os poros de uma adolescente. O que incomoda é esse ar viciado, perfume de açúcar, mel e tomilho, hortelã e capim de cheiro.
Nesse asilo me encontro diversas vezes no dia.
- Olá, andas meio sumido né?
- Pois.
- E tu, se escondendo?
- É... Aqui e ali.
O som do relógio fica mais lento, e eu queria mesmo um daqueles atômicos de Césio que atrasam somente um segundo a cada trinta mil anos. No rádio a mesma música latina de voz esganiçada,... Até que são bons esses caras, vou baixar alguma coisa se me lembrar. Tinha de escrever algo sobre um escritor que não sabe o que vai escrever, do tipo que não possui televisão em casa, e as únicas ondas eletromagnéticas que ele realmente aproveita, são as ondas de rádio, nem falo da luz visível, pois ele dorme o dia todo e só acorda quando já é tarde e escuro. Então tem de ficar jogando com a mesquinhez da economia de fótons, jogado na poltrona despedaçada e bolorenta do seu quartinho de quinze mangos à diária.
Acho que é um bom enredo. Só falta começar... Mas por onde?

Um comentário:

La Rara disse...

Que boa pergunta "POr onde?"
Eu gostaría de começar...mas falta alguma coisa.