15/02/2007

Organismo Indie?


O céu, alguns segundos antes do anoitecer, se despede em tons de verde escuro... Não sei se é somente o oxigênio mesmo, ou o enxofre que é liberado nas indústrias da minha cidade...
Uma cor doentia, para quem está acostumado com os fins de tarde hollywoodianos, laranja e vermelho no firmamento...
A mesma cor aparece nas algas do lago no centro, a cor dos cloroplastos, que a milhões de anos atrás, eram organismos procarióticos (material genético disperso no citoplasma), bactérias solitárias, que por necessidade e por “comodismo” permaneceram associados simbióticamente com outras bacterias;
Simbiose, a cooperação mutua entre dois organismos para manterem-se vivos, sem essa união, nós, organismos eucarióticos (com o material genético protegido por uma membrana, a carioteca), não existiríamos, afinal sem esse salto evolutivo, não teríamos nas nossas células, as baterias de energia vital, as mitocôndrias, que outrora dividiram o mesmo passado, com os cloroplastos, resultantes no mesmo tipo de “parceria”. Essa teoria foi apresentada e defendida por Lynn Margulis, bióloga americana, foi casada com Carl Sagan, e trabalhou nos projetos viking da NASA, conhecida como “Endossimbiose Seqüencial”, não é mais vista somente como uma teoria, pois já é ensinada como fato nas universidades, mas não ainda na maioria das escolas, e possui zilhões de evidencias a favor, como:
Cloroplastos e Mitocôndrias apresentam material genético próprio;
Possuem o código genético semelhante com bacterias do dominio Archea;
Ambos genomas consistem numa unica molecula de DNA;
Antibioticos como o Streptomycin que agem bloqueando na sintese de proteínas nas bacterias, também bloqueiam a sintense nos cloroplastos e mitocondrias;

A evolução não é uma teoria, é um fato, esta muito bem documentada tanto na nossa particular biblioteca, nosso código genético, as milhões de ligações que quatro letras (C, G, T, A), as bases nitrogenadas, que realizam a “montagem” desde um verme achatado, até um leopardo das – neves, como nas rochas do nosso Planeta, na forma de fósseis... Os organismos mudam.
Somos tão dependentes de outras formas de vida, e não nos damos conta do que ocorre dentro dessa “maquina”. Somente uma espécie entre milhões de outras, e alguns se julgam a obra máxima da evolução, na verdade tivemos sorte no fim das contas, se não fosse os tropeços, erro e acerto da evolução biológica, a cartada mais poderosa de toda a biologia, que nos tirou do centro do universo, e as grandes mudanças climáticas e extinções, o “galho” da espécie humana, talvez, nunca iria brotar... Nunca iríamos refletir sobre a existência, verdades e solidão, passado e destino;

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